google-site-verification=8wHdKD2VO9R-F9MznMVxfwkHJZR-pLyeJQSGCQeBJoY Poemas e Crônicas: O Pavão

quinta-feira, 23 de julho de 2026

O Pavão

 Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão.

Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos.

De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

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( Rubem Braga - *1913 - +1990, um dos maiores cronistas brasileiros. Esse texto foi escrito em 1958 e integra a obra 200 Crônicas Escolhidas - 1978 )  -  culturagenial.com




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